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Vítimas de desaparecimento forçado pedem à Comissão da Verdade um espaço para serem ouvidas

Un hombre observa la conmemoración del Día Internacional de las Víctimas de Desapariciones Forzadas. EFE/ Luis Eduardo Noriega A./Archivo
Un hombre observa la conmemoración del Día Internacional de las Víctimas de Desapariciones Forzadas. EFE/ Luis Eduardo Noriega A./Archivo

Em 8 de fevereiro, um grupo de pessoas esteve diante da sede da Comissão da Verdade (CEV) no centro de Bogotá, exigindo ser ouvido pela entidade de paz. A atividade foi liderada pela Fundação Nydia Erika Bautista, um coletivo dedicado à proteção dos direitos das mulheres e familiares vítimas de desaparecimento forçado na Colômbia.

Naquela tarde de terça-feira, o presidente da CEV, Francisco de Roux, desceu, ouviu e conversou com várias pessoas que estavam na Novena Race #12C – 10 em Bogotá. Naquele dia, ele disse aos líderes que abriria um espaço formal em dois ou três dias, para ouvir suas demandas. Bem, já se passaram quase dois meses e a Fundação ainda está esperando a ligação. Isso foi divulgado em uma carta endereçada ao CEV datada de quinta-feira, 24 de março de 2022.

Na comunicação, as vítimas expressaram que, “Padre de Roux e senhores comissários não foram ouvidos, no sentido humano, ético, epistemológico e jurídico da palavra. Tememos que a verdade das vítimas de desaparecimentos forçados seja considerada tendenciosa, que sejamos considerados uma parte interessada”, lê-se na carta. A Fundação Nydia Erika Bautista nasceu no exílio depois que a família batista teve que deixar o país devido a ameaças em 1997.

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E é que sua filha Nydia Erika Bautista é vítima de desaparecimento forçado em 30 de agosto de 1987. Naquele dia, a socióloga e economista de Bogotá, de 33 anos, foi presa por um grupo de homens armados, registrados na 20ª Brigada do Exército Nacional, que a levaram para uma fazenda no município de Guyabetal (Cundinamarca), onde mantiveram Nydia em cativeiro, torturando e sexualmente agredindo-a, treze dias depois seu corpo foi encontrado na rodovia Bogotá-Villavicencio, em estado de decomposição que impossibilitou a identificação, por 3 anos sua família não sabia nada sobre ela.

Em entrevista à Contagio Radio, o diretor da Fundação, Yaneth Bautista, afirmou que a maneira de se comunicar com a Comissão da Verdade tem sido apenas através dos relatórios apresentados. “Parece-nos que a Comissão deixou de ouvir as vítimas diretas, porque mesmo que se diga que as vítimas diretas são os desaparecidos, nós, parentes, também somos vítimas de danos à integridade e saúde mental, devido processo legal e justiça.”

Finalmente, Bautista disse que a Comissão deve ser uma instituição que caminha ao lado das vítimas. Ele também observou que, desde a assinatura do Acordo de Paz entre o Estado colombiano e os ex-guerrilheiros das FARC em 2016, eles apresentaram à Comissão seis relatórios sobre casos, violência, afetos e reparações às vítimas de desaparecimento forçado:

“Fazemos todos os relatórios, esta carta e essas reflexões como uma contribuição para o Sistema Integral, porque continuamos a ter um compromisso com a paz e com a eficácia dos mecanismos discutidos no Acordo de Paz. É como uma mãe quando diz ao filho que está fazendo errado, e fazemos isso com esse sentimento e com essa responsabilidade”.

Na carta dirigida à CEV, a Fundação comparou o trabalho da entidade colombiana com a Comissão da Verdade e Reconciliação do Perú, que foi a principal responsável pela elaboração de um relatório sobre a era do terrorismo que aquele país viveu entre 1980 e 2000. “No Perú, os comissários por horas e horas, dias e meses, sentaram-se para ouvir as vítimas em cada um de seus depoimentos e não havia um ou dois comissários, mas toda a Comissão como um todo. Pareceu-nos que essa maneira de ouvir as vítimas coletivamente e com tempo e paciência suficientes para ouvi-las era restauradora. A mesma coisa não aconteceu na Colômbia.”

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